O fundador

FUNDADOR


 

MINHA TRAJETÓRIA DE VIDA EM BRASÍLIA, DF.

 

Sou mineiro da cidade de Muriaé, cheguei em Brasília vindo da cidade de Miradouro (MG), cidade pequena, porém boa e acolhedora, mas que não oferecia na época campo para que eu pudesse realizar minhas ambições. Era recém formado na 4ª série ginasial, concluído na cidade de Manhumirim no Colégio PIO XI, grande educandário, onde estudei por 4 anos no regime de internato, já que Miradouro não possuía ginásio. Assim, em 6 de março de 1960, para ser exato, toquei o solo brasiliense às 10:30 horas com 17 anos de idade, com muito medo do que iria enfrentar, mas com muitos sonhos e vontade de vencer.

Fui morar em uma república na 2ª Avenida do Núcleo Bandeirante — naquela época conhecida como cidade livre. Logo após instalar-me passei a mão no meu diploma e com ele “debaixo do braço” passei a percorrer todos os escritórios de construtoras, institutos de previdência e escritórios de advocacia, enfim, lugares onde poderia desenvolver os conhecimentos que obtive com o bom estudo que possuía. Mas, não adiantou. Em todos os lugares, havia empregos de sobra para pedreiros, carpinteiros, armadores, e etc, mas em escritórios nada. As vagas eram preenchidas pelos afilhados dos diretores, engenheiros e por aí afora, percebi então que teria de pegar no pesado.

Meu primeiro emprego sem carteira assinada, aliás diga-se de passagem, nunca possuí uma carteira de trabalho na minha vida, foi de office boy, isso se pudesse chamar de office boy o meu trabalho, pois na verdade eu era um “faz de tudo” em uma loja de móveis na 3ª. Av. do Núcleo Bandeirante, chamada Móveis Capital.

O segundo emprego foi como bombeiro (frentista) em um posto de gasolina da Esso, no park way, chamado de Posto Tiradentes. Até aqui só recebia meio salário mínimo por ser menor de idade, no entanto meu desempenho no trabalho foi reconhecido e logo o dono do posto colocou-me como gerente dos bombeiros (espécie de fiscal), depois me convidou para ser gerente do restaurante.

No restaurante, tive a oportunidade de conhecer um frêgues assíduo que era gerente da aviação Panair do Brasil que me ofereceu um emprego de aeronauta (venda de passagens) na loja do Núcleo Bandeirante, aí as coisas começaram a melhorar. O salário aumentou assim como as condições de trabalho, esse foi meu terceiro emprego.

Meu quarto e último emprego foi no Cartório do 2º Ofício Notas e Protestos de Brasília — Tabelionato Goiânio Borges Teixeira, levado por meu saudoso pai, Alberto Pereira do Valle, o “SEU ALBERTO”, que havia sido nomeado Tabelião Substituto do Titular. Exerci a função de arquivista e balconista identificando e colhendo cartões de assinaturas dos usuários do cartório, foi nessa oportunidade que “o cavalo passou arriado em minha porta”.

COMO VIREI CORRETOR

Notei que os escreventes do cartório estavam precisando de ajudantes para auxiliá-los no serviço externo, fazendo diligências nas repartições públicas para a lavratura das escrituras, assim me transformei em despachante imobiliário, que para CORRETOR FOI UM PULO.

O PULO

Para que isso ocorresse ainda precisava de um empurrão. Um dia, estava por detrás do balcão do cartório esperando para falar com o escrevente de nome Murilo, o qual estava lavrando uma procuração para um cidadão que nomeava um parente para vender sua casa na W3 sul, pois estava voltando para o Rio de Janeiro. Ouvi todo o diálogo mantido entre eles sem maior interesse, isso ocorreu na parte da manhã. Logo após o almoço, lá estou eu no mesmo balcão quando apareceu um português querendo abrir um cartão de assinatura para reconhecimento de firma, atendendo-o confessou-me que estava vindo de Portugal para se estabelecer em Brasília e precisava de comprar um casa para trazer a família. Algum tempo depois que ele saiu é que fui me lembrar da conversa que ouvi pela manhã (meus sentidos de corretor ainda não estavam devidamente ligados, isso eu iria aprender com o tempo), mas, felizmente, lembrei-me.

Fui atrás do escrevente e perguntei o nome do dono da casa, localizei seu endereço pela procuração e a noite fui à sua casa, entabulei o negócio e ele disse que queria 700 mil cruzeiros pela casa livre de comissão. Fui atrás do português, que estava hospedado no Hotel Itamaraty e pedi 750 mil cruzeiros pensando até que ele iria regatear, mas não aconteceu. Combinamos no dia seguinte para ir ver o imóvel. Resultado, vendi a casa. Escritura lavrada e pagamento efetuado, o vendedor disse que iria descontar o cheque que era visado e logo traria a minha parte.

TUDO BEM, comecei a festejar com meus colegas de cartório o negócio, e um deles, com muita experiência disse para mim “só se deve cantar vitória com o dinheiro no bolso” foi minha primeira lição. O dia passou e o vendedor nada, e eu agoniado. A noite fui atrás do vendedor, mas não o encontrei, passei a noite em claro. Pela manhã fui ao seu trabalho, na Fundação Zoobotânica, onde funciona hoje o Zoológico, ele se explicando disse que iria naquele dia me procurar para dizer que só poderia efetuar o pagamento da minha parte quando voltasse do Rio para buscar a mudança, pois teve que enviar aos seus parentes o dinheiro para compra de outro imóvel. Fiquei chateado, para não dizer mais, ofereceu-me então como garantia uma nota promissória com vencimento para 30 dias, como não tinha coisa melhor a fazer do que aceitar, aceitei.

Voltando para o cartório o pessoal era só gozação, dizendo que “já era”, pois a promissória nem avalista tinha, no entanto não perdi a esperança. O tempo passou, não tive mais contato com o vendedor de nenhuma forma. Vinte dias depois ele apareceu e me disse: vim pagar-lhe pelos serviços recebidos.

No mesmo dia, fui ao Núcleo Bandeirante, nesta época já morava com meu pai no plano piloto, na antiga quadra 20, hoje 708 sul, comprei o carro mais barato do mercado um Renault Dauphine. No dia seguinte, pedi demissão do cartório e transformei o carro no meu escritório. NASCIA ALI O CORRETOR ANTONIO DO VALLE.

No primeiro momento, meu pai não foi muito de acordo, achava que meu futuro no cartório seria melhor, que iria sair para uma aventura e que minha primeira experiência foi muito sofrida, entretanto o meu argumento era muito forte, aos 19 anos o que tinha ganho num só negócio, eu levaria pelo menos dois anos trabalhando no cartório e era o que tinha vontade de ser, um agenciador, um intermediário de negócios.

Fiquei conhecido na Av. W3 sul — maior artéria comercial e bancária de Brasília — da quadra 502 (do Cleto da Colméia) à quadra 516 (ao Joaquim Silva Passos que tinha lá uma agência de automóveis, irmão do Sinésio da Predial Brasília, meu saudoso amigo e colega, creci nº 001). Negociei com quase todos os comerciantes da época por muitos anos e de todos fui amigo.

O tempo passou e meu pai vendo o meu potencial resolveu montar comigo uma firma comercial com o nome de VALLE & FILHO nome escolhido por ele, em homenagem aos meus avós que possuíram uma firma de secos e molhados com esse nome, no Rio de Janeiro, no início do século XIX, e que durou por mais de 100 anos. Assim montamos no SH/SUL, Edifício Pioneiras, loja 04 a primeira Imobiliária.

Em julho de 1968 (ano dourado), casei-me com Tania, amiga e companheira de todas horas, sempre caminhando ao meu lado, talvez sem ela eu não teria conseguido o que consegui, meu grande e único amor até hoje.

Em Abril de 1969, nasceu meu primeiro filho ANTONIO GUILHERME PEREIRA DO VALLE, dia de grande alegria para nós, ele nos presenteou com duas netas e um neto. Em Novembro de 1972, nascia minha filha CRISTIANE BAKER DO VALLE, nossa princesa, hoje uma renomada jornalista. Em julho 1978, tivemos a felicidade do nascimento de mais um filho varão MURILO PEREIRA DO VALLE, bacharel em ciências da informação que nos deu de presente duas netas maravilhosas. Deus ainda na sua benevolência nos mandou mais um varão, em abril de 1989, RAFAEL PEREIRA DO VALLE, de quem muito nos orgulhamos, formado pela UNB em Geografia e dedicado professor. Todos maravilhosos que só alegria nos tem dado em todos esses anos.

Voltando agora no tempo, dando seguimento a minha vida comercial, durante muitos anos a Imobiliária Valle & Filho foi de vento em popa. A década de 70 foi uma boa época de negócios com o surgimento do BNH e das cardenetas de poupança, no entanto como em todo negócio comercial existe o risco tanto de ganhar ou perder, nos primeiros anos da década de 80 os negócios passaram a não caminhar bem, admitimos dois sócios na sociedade o que não foi um bom negócio para mim. Em junho de 1983, resolvi sair da sociedade. Assim, criei no dia 1º de julho de 1983 uma nova Imobiliária com o nome de ANTONIO DO VALLE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, hoje instalada em sede própria no SRTV/SUL, Centro Empresarial Assis Chateaubriand, torre 1, 4º andar, salas 423 e 425, sob a direção do meu amado e competente filho ANTONIO GUILHERME PEREIRA DO VALLE, do qual tenho grande orgulho, que todos vocês conhecem e admiram, que é o meu LEGADO.

ANTONIO DE PADUA PEREIRA DO VALLE

 

CRECI J. 3384, 8ª. REGIÃO